Gosto de motivos non-sense, de planos improváveis e de tiros no escuro. Para mim, uma razão pra viver mais um dia não pode ser algo palpável, tem que ir além das probabilidades, tocar os meus desejos mais profundos, beirar a realização existencial. Os tais sonhos acordados que às vezes me doem o peito e me apertam com uma agonia respiratória de tão fortes, que me fazem ter uma crise de ausência só de imaginar a possibilidade desse mundo paralelo feito exatamente na minha medida. São eles me cansam e escravizam. Eles que me dão fôlego pra continuar. Porque são eles me levam para mim.
domingo, 29 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
13 dias para o fim de 2013
E foi assim. Ansiedade exagerada, medo e preguiça daquele ano que todo mundo já tinha me avisado que não ia ser fácil. A tal da clínica médica. E vamos virar noites, tirar notas baixas, escolher a opção errada, mandar tudo se fuder e ir dançar, encher a cara, correr, cansar, não descansar, estudar no sábado, no domingo, na academia, chorar no meio da prova, dormir nos corredores, esperar horas por professor que não vem, chegar mais cedo por professor exigente, brigar com os colegas, abraçar, ir pro ambulatório, se indignar com a situação da saúde pública, #irprarua, voltar pra casa feliz/brava/morta/orgulhosa/desapontada, fazer provas fazer provas fazer provas. E acabou. E vem a pediatria. E vem congressos, festas, pular de pára-quedas, ir para Salvador, trabalhos científicos, festas, ballett, e vem o ócio, os pensamentos perigosos, as idéias miraculosas, e adeus cabelo, e oi tatuagem, e vem os jogos, e vem depois também o aperto, o ferro, a ressaca e as noites em claro, e os ambulatórios já estão demorando muito acabar, e já não consigo acordar no horário, e tem trabalho e jornada e prova e liga e apresentação de violino tudo na mesma semana, e não dá mais pra ir em festas, e parece que nada entra mais na minha cabeça, e o esforço pra fazer algo demanda toda a minha energia, e prova e prova e prova e acabou. 13 dias pra 14.
domingo, 24 de novembro de 2013
Um sonho
Se um dia eu decidir que cansei dessa vida, eu vou para bem longe. Sei que nos meus dias vou cometendo pequenas insanidades, vou me testando, até onde tenho coragem de ir onde não é permitido. Mas quando eu estiver bem resolvida, eu vou atrás do que quero de verdade. Vou para onde ninguém me conhece, viver uma vida que não é a minha. Quero fazer pequenos trabalhos, conhecer um segredo por dia, mas dessa vez manter longe o apego excessivo, vou guardar a confiança comigo mesmo, porém quero doar sem medidas tudo que me resta do elemento X que me faz Larissa. Quando um dia eu puder me virar do avesso, quero fazer o que já tentei mas não deu certo, e agora tenho medo. Viver o que não me deixam viver. Deitar na terra. Ficar descabelada o dia todo. Beijar sem razão. Conhecer de tudo um pouco. Correr sem saber o caminho. E abandonar tudo e seguir de novo. Pra casa.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
I'll be there in your dreams if you can't sleep at all
As noites que eu fico sozinha olhando pro teto, aquelas que eu tento dormir mas não consigo, ou aquelas que eu acordo subitamente no meio da noite, aquelas que me deixam fodidamente cansada no outro dia, aquelas que me dão uma ânsia sem explicação que me fazem pegar a estrada pra sair por aí, aquelas que de tão consumidoras me fazem desligar tudo pra falar comigo mesma, as que eu penso em tanta coisa e eu quero que tudo vá embora, aquelas que me fazem querer o que eu tenho, o que eu não tenho, me amar e me odiar, são as noites que me fazem ser eu mesma, todo dia outra pessoa.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Random
Não sei se é o tempo frio, ou tempo livre, mas minha cabeça tá no modo aleatório. Tá muito sem um porquê. Tô vendo que maioria das coisas, das pessoas, dos pensamentos não fazem sentido. Na verdade nem nunca tiveram a intenção de fazer. É falar por falar, fazer por obrigação. Mal olham e já abrem a boca pra comentar. E depois pensam. E depois esquecem. Todo dia. É tudo muito besta mesmo.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
kjbgafguwaegfua
Estranho como
Alguns dias
São tão comuns
Estranho como
Alguns dias
Tem algo tão inexplicável
Tão insuportável
Tão difícil de manter a sanidade
Alguns dias
São tão comuns
Estranho como
Alguns dias
Tem algo tão inexplicável
Tão insuportável
Tão difícil de manter a sanidade
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
If you don't like the reflection don't look at the mirror
Eu tenho carregado muita coisa nas costas desde que eu comecei a
faculdade, e não tem como eu desligar de tudo aquilo que eu quero, mas de um
tempo pra cá eu fui vendo o tanto que é desnecessário se preocupar tanto com
algumas pessoas, com cada atitude, com algumas coisas do passado, e
até coisas do futuro. Às vezes se você abre uma brecha é possível ficar muito
tempo pensando "e se eu tivesse feito isso ao invés disso", "ah talvez se eu tivesse chegado
1 segundo depois poderia ser que...", sinceramente foda-se. O que eu quero
eu luto pra ter, se não deu certo já era, o " e se..." nunca
aconteceu e o tempo não volta, então supera. Sério, ficar imaginando universo
paralelo dá câncer. Ainda mais que muita coisa na minha vida dá errado, a sorte
é que eu também sofro de alzheimer precoce, aí se alguma coisa ruim acontece
comigo de manhã, a tarde eu já esqueci 50% dos fatos. Então se alguém quiser morrer de falar mal, ou de achar ruim de algo relacionado a mim.. pode falar, pode achar ruim, é direito seu. Eu não sei de muita coisa, acho que vou aprendendo (bem) aos poucos com a vida, então eu erro mesmo, faço umas burradas
sensacionais, sinto raiva, descompenso, mas depois eu levanto e vou indo. Quero focar mais no
que compensa e o que realmente é preciso. Não dar crédito pra quem não merece. Não é também que agora eu vou sair destratando as pessoas, nem sendo grossa, nada disso, é só que eu tô em outra.
terça-feira, 4 de junho de 2013
invisible inc
Eu tenho um distúrbio emocional que
leva meu cérebro a pensar que a resposta adequada à todas as emoções é chorar.
Então, domingo passado eu fui dormir chorando de raiva. Eu tava com tanta raiva
que não tinha condições nem ao menos de organizar meus pensamentos, muito menos
escrever qualquer coisa, eu só queria esganar algumas pessoas, que eu inclusive
eu nem conheço. Pra contar essa história eu primeiro eu vou explicar quem é a
Nini.
A Nini cuida de mim desde os meus 3
anos de idade, ela chegou lá em casa como babá e continua trabalhando lá em
casa até hoje. Quando ela chegou na nossa casa ela tinha apenas até a 4ª
série completa. Alguns anos passaram e ela resolveu voltar a estudar. Não foi
fácil para ela, eu que sempre tive tudo na mão pude ver de perto várias falhas
do sistema de ensino público como má gestão das escolas, falta de segurança, de
interesse de muitos professores e alunos, de estrutura física, de valorização
do profissional, de incentivo do governo... e muitos outros fatores que criam
uma barreira. É foda, dá pra desanimar bastante. Mesmo assim ela continuou
estudando, e esse ano ela entrou na PUC para pedagogia.
Então, esse final de semana eu
estava lá em casa quando a Nini chegou um pouco triste, aí eu fui conversar com
ela. Ela começou a me contar que estava com medo de não conseguir continuar na
faculdade, pois era cheio de trabalhos em grupos e ninguém nunca queria fazer
com ela, e ela estava se virando sozinha até então porque os trabalhos eram
manuscritos, mas agora começaram a ser pedidos trabalhos com pesquisa na
internet e ela não sabia como mexer, e como ninguém nem falava com ela na
faculdade ela não sabia a quem recorrer. Ela me contou isso chorando. A minha vontade
na hora foi de querer trucidar os colegas dela um a um, e não mudou. Eu amo a
Nini, e por isso essa história mexe comigo mais do que com você, mas ainda que
eu não tivesse ligação com ela, é muito revoltante observar como é normal esse
preconceito social que existe nitidamente.
A Nini é uma empregada doméstica
negra de 34 anos que cursa o primeiro período de uma faculdade particular bem
renomada. Eu imagino ela entrando na sala de aula no primeiro dia e me dá nojo
dos olhares preconceituosos que ela com certeza recebeu. Nem um mísero
indivíduo teve a decência de falar com ela. Eu tento pensar que as pessoas
estão perdendo a sensibilidade, a percepção do que está em volta delas. Eu
tento pensar que foi falta de atenção. Mas no fundo eu sei que a cegueira é
proposital. Eu sei que as pessoas sabem, mas não ligam. Ou até querem mal. E me
dá raiva, dói demais ver o sofrimento de alguém que amo e que batalhou tanto
para chegar onde está agora.
Perceber o mundo está cada vez mais
difícil, tudo gira em torno do “eu”, nos fechamos cada vez mais em nós mesmos.
Ultimamente onde vamos não tem ninguém olhando pra cara um do outro, ninguém
olha mais pela janela do carro, todo mundo só olha seu celular. Quantas vezes
você não virou a cara pro além só pra não ter que falar “oi” para alguém?
Qual foi a última vez que você conheceu e conversou com alguém sem algum
interesse por trás? Pense, quantas vezes você se olha no espelho e quantas
vezes você olha nos olhos de alguém por dia?
Preconceito é a coisa mais ridícula
inventada pelo ser humano, que melhorou do ponto de vista de escancarar na
sociedade a existência dele, mas que está “camuflado” nos cochichos, nos
olhares, nos pensamentos, nos grupinhos fechados. E parece que cada vez tem
mais, e com motivos cada vez mais retardados. Dinheiro, cor, opção sexual,
roupa, escrever certo, não te faz melhor do que merda nenhuma. Às vezes pode
ser difícil pelo fato de ser tão normal, erramos pelo automatismo. Mas eu
acredito que a consciência e a vontade podem mudar uma pessoa. Eu deixo aqui o
meu pedido de olhar pro lado. (e pra frente, pra trás, pra baixo...)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
I wanna live on the road
Semana passada eu estava na Amazônia por um
projeto da faculdade para fazer ação educativa. A proposta era: sair de casa,
esquecer aulas, provas, trabalhos, conhecer aquela população, passar o máximo
de conhecimento possível nas ações educativas, morar em um barco, colaborar com
o que me pedissem e se possível, atender algumas pessoas na clínica por uma
semana. Uma das coisas mais legais de viajar
assim é que, apesar das pessoas já terem te explicado como vai ser e você ter
na sua mente tudo aquilo que você vai viver no final você percebe que não dá
pra ter a menor noção da situação até você ver com seus próprios olhos, pisar
com seus próprios pés, sentir com seu próprio coração.
Conviver com pessoas novas, ouvir a história delas,
compartilhar a sua, trabalhar em situações adversas, ver a beleza e a miséria
daquele lugar, viver momentos que me fizeram rir, chorar, gritar e ficar calada. Houve momentos difíceis,
de revolta, e de partir o coração. Somos humanos, somos pequenos, não podemos
mudar tudo...mas se você tem consciência das suas limitações e intenção de ajudar (e não só a população
carente, é preciso ter força de vontade para trabalhar com os colegas, querer
evitar discussões, dar o braço a torcer), é possivel fazer a diferença. Partindo
disso a convivência fica fácil, fica gostoso estar ali com aquelas pessoas e as
boas memórias vão fluindo naturalmente.
Arrisquei, fui com o coração aberto e troquei
a roupa da alma. As coisas que eu vivi nessa semana vão ficar guardadas na
memória e eu só tenho a agradecer por essa oportunidade única que me foi dada.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Laugh is the best medicine
Você já fez alguém sorrir hoje?
Esses
dias eu estava conversando com alguns colegas que estavam extremamente frustrados
com as atitudes egoístas de outros colegas, que ficam escondendo material de
estudo, como as pessoas estão com um pensamento mesquinho na faculdade. E eu
concordo. É muito ridículo querer sair melhor, querer que os outros não saiam
bem nas provas, ficar acima dos outros...cara na boa, todo mundo vai formar um
dia, e quando isso acontecer vamos começar a atuar medicina de fato, teremos
vidas dependendo do nosso conhecimento. Quanto mais ajudarmos uns aos outros,
quanto mais soubermos, mais competentes seremos, mais pessoas poderemos ajudar.
Pense que um dia, algum parente próximo ou até você mesmo pode
precisar de ajuda daquele profissional que você ridicou seu material.
O
problema é que as pessoas ficam olhando só para dentro da sua bolha, apegam-se MUITO mais as coisas materiais do que a pessoas. Como posso esperar que essas pessoas
serão médicos comprometidos com seus pacientes se não conseguem nem ao menos
serem gentís com seus colegas? Eu acho que tá todo mundo precisando tirar um
tempo pra pensar. Pensar em quem são, pensar em o que querem se tornar, pensar
se de fato estão crescendo, pensar.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Bitch, please.
Judgments -Rosea Lake
Julgamentos são tiros no pé. Nós não somos bonecas, temos carne e osso, temos desejos, vontades, inibições, preferências, como todo mundo tem. Isso todo
mundo sabe. O que as pessoas tem dificuldade de entender é que nem todo mundo
tem a mesma dose, e aí começam os olhares tortos...
Eu
penso que cada indivíduo tem direito de viver a vida como bem entende, desde
que respeite o limite do outro. As pessoas pensam diferente, possuem organismos
diferentes, e tem intensidades diferentes em seus sentimentos. Tem gente que é
monogama e tem gente que não é. As pessoas tem muita dificuldade em aceitar
certas atitudes, principalmente de mulheres, porque na cabeça egoísta delas os
outros tem que seguir a mesma filosofia de vida que elas.
Ter
uma saia mais longa, não ficar com mais de um cara por noite, não usar decote, não transar de primeira, tudo isso não quer dizer que você é uma pessoa melhor, quer dizer que sua opinião é diferente da delas. E diferenças são boas. Cada pessoa tem o direito
de ser quem quiser, se expressar, sem ter alguém pra fazê-la se sentir mal por
ser quem é.
:)
“Listen to
patients’ stories.
Treat them as friends.
They may need a dose of strongest drug
of all: the doctor”
Michael Balint
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Pride and Prejudice
Uma professora minha estava falando sobre os pacientes que
se recusavam a ser atendidos por médicos que tinham cabelo vermelho ou usavam
tatuagem, enfim não seguiam o esteriótipo de pessoa séria e normal. E eu sei
que a intenção dela ao dizer pra gente não sair do padrão é para evitar constrangimentos
futuros...mas sei lá, não é obvio que isso não quer dizer nada? Algumas pessoas
tem a capacidade de achar que uma tatuagem é um carimbo de “aloprada”, acham
que conseguem ver o fundo da sua alma só de olhar pra você ou conversando 5
segundos, tudo na base da “leitura dinâmica”.
Na verdade estamos sendo tão superficiais em julgamentos que
discriminamos pelos mais diversos motivos. Procuramos o que a pessoa tem de “errado”
para aumentar nosso ego. É tanto narcisismo e “não me toque” pra todo lado
entre os semi-conhecidos que um simples sorriso às vezes te faz sentir muito
bem.
Beatrice Martin, cantora e compositora canadense
Tem gente que não entende gays. Eu não entendo POR QUÊ as
pessoas não entendem gays. E eu sei que isso também pode ser um defeito meu, porque
eu perco muito a paciência com essas discussões, mas me irrita demais alguém não querer deixar a outra pessoa ser livre pra amar quem ela quiser. Me dá
raiva só de escrever isso. Eu não entendo por quê as pessoas acham que uma pessoa que tem tatuagem, ou que tem cabelo colorido diferente whatever, têm menos
competência que outra. Uma das pessoas mais boas que eu já conheci é cheia de
tatuagens, é ruiva fogo (e se chama Beatriz Bonach haha) e é um pãozinho de
mel, não machucaria uma mosca, além de ser também uma, se não “a”, pessoa mais
inteligente que eu conheço.
(Manisfestante gay na Rússia)
O ser humano é tão ignorante que pra não dar briga um tem
que esconder sua verdadeira identidade do outro no dia-a-dia, as tais mangas
longas, os colarinhos. Temos que nos cobrir com várias máscaras para sermos
aceitos. Temos que esconder nossa
personalidade. Eu sei que isso leva tempo, mas eu espero realmente que as
pessoas se conscientizem que, se recusando a ser atendido por um profissional
por motivos irracionais como esses, quem perde são eles.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Impossible Germany
Falam que a
gente sonha com o que a gente mais pensa.
Ontem eu
estava vendo umas fotos da Alemanha e sonhei com o dia que me despedi da minha
família alemã. Só que foi um daqueles sonhos bem reais e eu acordei no meio da
noite com uma sensação muito ruim, um desespero, um aperto...
Dizer adeus
à minha família alemã doeu. Ainda dói lembrar. Foi uma das coisas mais difíceis
que eu já fiz. Uma vez eu falei isso pra alguém e essa pessoa me perguntou
“nossa, mas e quando você se despediu da sua família brasileira para ir para
Alemanha não foi pior não??!!” Não, não foi. Quando eu estava indo passar um
ano na Alemanha eu sabia que eu ia manter contato com meus pais por e-mail,
telefone, Orkut hehe e o principal, em um ano eu voltaria a vê-los todos os
dias. É claro que foi ruim, mas diferente,
foi meio que uma mistura de medo de estar saindo do colo dos meus pais
com uma saudade adiantada, mesmo sabendo que seria temporário.
Agora, eu
dei muita, mas muita sorte com a escolha da família no meu intercâmbio. Eu não
conhecia ninguém, não sabia nem falar direito alemão. Eles me receberam com
todo o amor. A gente comia todas as
refeições juntos, passeávamos com os cachorros todos os dias, saiamos sempre
pra comer sorvete, pra andar a toa de bicicleta, de patins, caminhar no parque,
ir pra outra cidade pra fazer compras, íamos no cinema, nos barzinhos a noite
ouvir musica irlandesa, viajamos muito...eles eram minha família e meus
melhores amigos de lá, um sabia de tudo da vida do outro. T-u-d-o. Eu convivia
com aquelas pessoas noite e dia e quando vi, tinha criado laços muito fortes
com elas. É estranho lembrar, era muito diferente da minha realidade no Brasil,
uma vida de outro planeta. Outra coisa, como eu não tinha a obrigação de tirar
as melhores notas do mundo e a escola tinha muito horário vago então foi uma
época sem preocupações, um tempo pra simplesmente viver o que estava ali,
divagar , fazer loucuras, sair por aí sem rumo. Aprendi sobre eu mesma. Não tem
como não lembrar com carinho da Alemanha.
E hoje dói
pensar que eu não posso abraçá-los quando quiser, eu não estou vendo meus
irmãozinhos de lá crescerem, eu escuto a voz deles no máximo 2 vezes por ano. E
eu não sei se eles sabem o tanto que eu sou grata pelo que eles fizeram por
mim. E eu não sei quando vou vê-los de novo, mas eu vou. E enquanto isso eu vou
fazendo o melhor que posso nos próximos capítulos.
2012 is the end of the world
Todo ano
tem suas aventuras, os dramas, os erros, as pessoas que marcaram. Não tento
ficar me explicando e remoendo os fatos, mas gosto de lembrar, principalmente
dos detalhes, das sensações das melhores e piores coisas que me aconteceram...
Acordei atrasada, exagerei na comida, peguei a
estrada de madrugada, decidi ir pra festas faltando
20min pra carona ir embora, fiquei sem dormir um monte de noites pra estudar,
matei aula pra ir no cinema, ri com meus amigos até ficar com dor de barriga,
chorei sozinha, corri todos os dias, agi impulsivamente, me controlei pra não
pular no pescoço de umas pessoas, fiz planos diabólicos, falei sem pensar, fiz
boas amizades, aprendi muita coisa na faculdade, me desesperei sem precisão, briguei
no trânsito, acertei, errei, amei.
Eu não me arrependo de nem um dia do ano e não me
condeno por coisa alguma que fiz. Cada dia que passa eu vivo da maneira que eu
quero viver, com o que eu tenho na minha consciência o que é certo e errado, e
isso vai mudando de acordo com o que acontece. É claro que eu mudo de idéia,
vou transformando meus pensamentos todos os dias. E é por isso que eu sempre
prefiro errar do que não tentar. O problema disso tudo são as cicatrizes. Dói
lembrar de certas coisas, dói demais. E eu vi que quanto mais a gente ignora os
fatos, maior é o risco de errar, de se enganar de novo. Por mais que isso seja
também uma auto-sabotagem, às vezes é bom. Perdoar é foda. É do caralho. Mas
vale a pena. O negócio é não esperar que as pessoas farão por você o que você
faria por elas. O negócio é mesmo não esperar nada. E se deixar surpreender com
o que virá.
E afinal, se o mundo fosse acabar hoje de verdade
eu gosto de saber que eu não guardo rancor de ninguém. Eu escolhi ter boas memórias.
“You have a choice. Live or die.
Every breath is a choice.
Every minute is a choice.
Every time you don't throw yourself down the stairs, that's a choice. Every time you don't crash your car, you re-enlist.”
― Chuck Palahniuk
Love is a verb
Essa semana eu recebi a notícia que um tio meu se suicidou. Demoraram dias para descobrir seu corpo, pois ele morava sozinho na antiga casa da minha avó paterna. Eu nunca tive muito contato com ele, mas eu o conheço desde pequena. Essa notícia para mim desceu rasgando a garganta. Eu olhava pro meu pai e pensava: "eles são irmãos". Não consigo imaginar a dor de perder um irmão. Muito menos assim. Foram 3h horas de ida na viagem até a cidade dele e 3h horas de volta.
Foi como colocar óculos. Mas com uma lente extra escura.
As pessoas andam tão mesquinhas que limitam seus sorrisos, seu afeto, seu amor. Arranjamos tempo pra tudo que é superficial e fútil, mas é difícil tirarmos um tempo para repensar as coisas que fazemos no dia a dia.
Foi como colocar óculos. Mas com uma lente extra escura.
As pessoas andam tão mesquinhas que limitam seus sorrisos, seu afeto, seu amor. Arranjamos tempo pra tudo que é superficial e fútil, mas é difícil tirarmos um tempo para repensar as coisas que fazemos no dia a dia.
É difícil um
dia que paramos para escutar as pessoas que amamos, sem pressa, sem
julgamentos. E eu não digo escutar na forma passiva, ficar vegetando na frente
dela enquanto ela fala. Precisamos de atenção verdadeira. Discussões que não
sejam sobre o calor, o frio, faculdade ou o menino idiota que tá te fazendo
sofrer. Escutar os medos, os sonhos, os vazios do outro. E com interesse. Querer
ouvir ao invés de só esperar sua vez de falar.
E o pior é que ainda temos a capacidade de achar que conseguimos
compensar essa falta de atenção com coisas materiais.
A culpa é
nossa, que não sabemos amar.
don't wanna grow up
Mas
aí passaram-se 20 anos. Eu vou estar com 39 então. Mulher casada, cirurgiã
vascular, com filhos adolescentes e um trabalho que ainda é bastante exaustivo,
porém terei já bastante prática e pouco vou me intimidar com a dificuldade
dele. Chego em casa e vou assistir TV com meu marido (mentira, eu vou jogar
wii), pergunto ao meu filho se ele fez a tarefa de casa e ele resmunga qualquer
coisa. Vou dormir. O que será que eu vou pensar? “Nossa, tenho que ir no banco
amanhã”, “To gorda, tenho que voltar pra academia”, “Fulaninho tá com notas
baixas em matemática, vou coloca-lo no kumon”.
Me
dá meio pânico de me imaginar em um futuro assim. Eu acho que é porque eu não
quero meu futuro agora. Mas é claro, eu sou adolescente. O
que eu quero agora é sei lá. Não ter nada previsto. Sair por aí, não ter lugar.
Conhecer, tipo, muita gente, lugares, comidas, animais, dar beijos na chuva,
resolver fazer loucuras do nada como se aquele fosse o último dia da minha
vida, estudar até 5hrs da madrugada me imaginando fazendo todas aquelas
manobras e testes em pacientes reais, sonhar com tudo que posso fazer, e achar
o máximo quando realizo pequenos sonhos e fantasias que a vida me traz de
surpresa.
Pra
quando eu estiver enfim estável (ou seja, quando eu for pra parte chata) vou
poder sorrir com a certeza que eu experimentei das mais diversas coisas e saber
que escolhi o melhor, sabendo quem sou e o que quero. Saber primeiro exatamente
quem sou, e o que realmente quero.
Todo dia um velho dia
Eu
amo férias. Nos dias normais a mente está sempre ocupada para pensar no que
realmente importa. São deveres, problemas, distrações passageiras que me deixam
vidrada no momento e eu fico sem a capacidade de sair dessa bolha.
Mas
tento andar todos os dias. Para relembrar minhas atitudes e pensar nas futuras.
Tento correr todos os dias. Para tirar um pouco do stress e me sentir exausta,
de forma que não tenha raiva de ninguem e esvazie minha mente. Tento olhar a
lua todos os dias. Para viajar um pouco em pensamentos loucos e sem nenhuma
lógica, ou projetos distantes. Eu tento amar todos os dias. Pois eu preciso
disso, e assim consigo receber amor de volta mais facilmente. Pra tentar manter
a sanidade mental. E tento sorrir todos os dias. Pois isso me lembra quem eu
realmente sou. E eu tento arriscar o máximo possível. Para perder o medo. Para
quebrar a cara. Para ter um breve momento de felicidade. E eu tento aprender
com cada dia. Tento entender as pessoas. Tento parar de julgar.
E
eu gosto de parar na "Pedra" para avaliar o que ainda falta em minha
vida. O que importa e o que eu deveria parar de me preocupar. E gosto daqui
porque assim posso ver como sou pequena diante de tudo, consigo perceber melhor
a insignificância. E ficar sonhando com a imensidão e rir das besteiras da
vida...e ficar feliz de estar aqui sendo quem sou.
Pôr-do-sol na "Pedra"
Jedes Herz ist eine revolutionäre Zelle
Aviso: Esse texto é um surto emocional e não faz o
menor sentido
"Todo coração é uma célula revolucionária"
Vai ver eu to preenchendo
tanto meu tempo pra não sobrar tempo nenhum para realmente pensar em mim. Não
pensar na vida paralela que eu nunca vou viver, não repensar as atitudes que eu
tomo todos os dias de engolir seco muita coisa e seguir em frente como se
estivesse tudo bem. O fato é que um dia livre é algo raro, e bem perigoso para
mim. Eu me perco nas lembranças e me frusto do fato de serem intocáveis...mas o
futuro, nesse eu poderia mexer, certo? Mais ou menos. Se penso nos planos que
eu tive na infância, na adolescência e depois no que eu tenho e fiz até
hoje...as "conquistas"são mínimas. Na minha vida pelo menos, eu acho
que deixei muita coisa para trás, e parece pessimista pensar no que eu não
consegui ao invés de pensar nas coisas que eu consegui, o velho ditado "o
ser humano busca o que não tem". Mas que graça tem estar satisfeito? O
negócio é fazer o que der pra fazer, e parar de idealizar essa porra de mundo.
Não, as pessoas não dão a mínima pra você. Não dão mesmo. Quem deve cuidar de
você, ir atrás das coisas por você é sempre você. E também não dá pra confiar
em ninguém. Eis aí as lições que mais me marcaram nesses últimos 20 anos...
legal né? Eu vou passando cada dia trabalhando que nem um cão pra ter diversões
passageiras e frustrações fúteis. Caralho, é muita coisa inútil. Mas na boa,
tudo que fazemos é preencher nosso tempo com coisas que não vão fazer a mínima
diferença. Independente do que eu faça, posso salvar vidas, fazer uma grande
invenção ou começar uma guerra. No final tudo é passado e um dia o mundo vai
explodir e acabou. Foda-se. E por que então eu simplesmente não saio pelo mundo
a fora? Bom. Dinheiro é um fator, claro. Formalidades. O medo é outro. Mas eu
vou. Tenho que viver o que eu quero, não que no final faça alguma diferença,
talvez seja só por capricho meu mesmo. Mas se estou aqui nesse mundo mesmo, por
que não?
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