sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Do mi li quim zi

Foi o ano da Fluoxetina.

Eu sei que nunca mais quero passar pelas coisas que tive que passar neste ano.
Mas eu se eu pudesse escolher entre os fatos terem acontecido ou não,
Também não pularia nem um segundo.


2015

Foi bom,
Mas pode acabar agora.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Baby, it's cold outside

Sexta à noite. 
Já é dezembro e tá chovendo devagarinho. 
Chego na casa dos meus pais depois de uma longa semana, todas as luzes estão apagadas. Eu subo as escadas tateando a parede, acendo a luz, ando sem fazer barulho no corredor e abro a porta ao lado da sala. 
Em meio de muitos lençóis brancos na cama de casal, tem uma mulher de estatura média, cabelos loiros curtos e roupa de quem saiu do trabalho e nem deu tempo ainda de trocar. Ela tá deitada sozinha com as mãozinhas juntas, como se estivesse rezando, os joelhos levemente dobrados e uma expressão de acalmar a alma. Eu deito ao lado dela e abraço-a por trás com carinho. Ela fala:
- Que saudade que eu estava, filha.


E eu acho que amor é isso.

domingo, 29 de novembro de 2015

Braids

Foi um fato (quase) pontual.

Eu tive minhas razões e você as suas. Será sempre um segredo bem guardado, e nós dois sabemos disso. 


Ontem eu sonhei que você estava dormindo no quarto ao lado do meu. Sonhei que eu te esperava ansiosa voltar do trabalho, mesmo cansada e já meio sonolenta. Apesar que na vida real o seu cabelo é bem curto, você chegou em casa com metade de uma trança, que se completava com a metade da trança dela. Quando olhei pra você e vi, passei imediatamente a mão no seu cabelo, desfazendo-a por completo. Mas quando eu acordei a trança continuava lá.



“...I feel like a traitor, a phony, a fake. But I am a hypocrite with the best intentions, and I need kissing desperately.” 
― Coco J. Ginger

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Flume

Engraçado que quando eu era criança eu não pensava em ser médica. Eu odiava médicos. Eu queria ser astronauta, e ficar pra sempre na lua de boas flutuando. Depois que cresci um pouco quis ser pintora, gostava tanto de desenhar que cheguei a fazer arte com canivete no guarda roupas de madeira do meu quarto. Depois mais velha estava decida a ser pilota de avião, pro desespero dos meus pais. Cheguei a pensar também em ser cartunista algumas vezes, mas nunca ninguém levou a sério. Por fim eu não fazia idéia, mas escolhi medicina.


Hoje em dia acho que queria ser criança.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Heart Skipped a Beat

Às vezes eu deito no chão da sala com meu estetoscópio e fico escutando meu próprio coração. Fico fantasiando doenças terminais ou acidentes trágicos. Imagino um mundo sem mim. Nunca mais ter que sentir nada, nunca mais ter o gosto desagradável do dia-a-dia sem perspectivas. Desejo nunca ter que levantar dali. Talvez eu seja só, sei lá... incompatível com a raça humana.