domingo, 17 de fevereiro de 2013

don't wanna grow up

Mas aí passaram-se 20 anos. Eu vou estar com 39 então. Mulher casada, cirurgiã vascular, com filhos adolescentes e um trabalho que ainda é bastante exaustivo, porém terei já bastante prática e pouco vou me intimidar com a dificuldade dele. Chego em casa e vou assistir TV com meu marido (mentira, eu vou jogar wii), pergunto ao meu filho se ele fez a tarefa de casa e ele resmunga qualquer coisa. Vou dormir. O que será que eu vou pensar? “Nossa, tenho que ir no banco amanhã”, “To gorda, tenho que voltar pra academia”, “Fulaninho tá com notas baixas em matemática, vou coloca-lo no kumon”.

Me dá meio pânico de me imaginar em um futuro assim. Eu acho que é porque eu não quero meu futuro agora. Mas é claro, eu sou adolescente. O que eu quero agora é sei lá. Não ter nada previsto. Sair por aí, não ter lugar. Conhecer, tipo, muita gente, lugares, comidas, animais, dar beijos na chuva, resolver fazer loucuras do nada como se aquele fosse o último dia da minha vida, estudar até 5hrs da madrugada me imaginando fazendo todas aquelas manobras e testes em pacientes reais, sonhar com tudo que posso fazer, e achar o máximo quando realizo pequenos sonhos e fantasias que a vida me traz de surpresa.


Pra quando eu estiver enfim estável (ou seja, quando eu for pra parte chata) vou poder sorrir com a certeza que eu experimentei das mais diversas coisas e saber que escolhi o melhor, sabendo quem sou e o que quero. Saber primeiro exatamente quem sou, e o que realmente quero.



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