quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Home is for the heartless

Imagine você, se somente a roupa que você está agora no corpo e o dinheiro que tem no bolso fossem todas as suas posses. Você consegue sequer imaginar essa possibilidade? Você consegue se imaginar sem um lugar pra dormir? Sem um lugar pra tomar banho? Sem saber se hoje vai dar pra comer? 
Depois de seis meses conversando com moradores de rua de Anápolis, acaba amanhã a etapa de entrevista do meu TCC/PIBIC. Cada pessoa que eu conheci nesse período tinha uma história de vida incrível, foram pessoas de várias religiões, etnias, que vieram de todos os cantos do Brasil, e todos com um objetivo diferente. A rua é um mundo que só entende quem está dentro, ela tem todo um mecanismo. A gente finge que entende, mas a verdade é que essa realidade é inimaginável pra quem sempre teve um teto. E fica bem mais difícil quando ignoramos todos os dias essa população. Não tô nem falando da questão de dar dinheiro, tô falando de virar a cara pra alguém que tá olhando pra você, que tá falando com você. Muitas vezes eu sentia vergonha de mim mesma enquanto escutava o que eles tinham pra falar. Quantas vezes eu ainda não consigo ver além da aparência. Ou machuco alguém sem nem pensar o que isso vai causar. E pqp eu reclamo de TANTA besteira...Não dá pra não repensar a vida quando você chega na sua casa depois de alguém te falar que procurou emprego o dia todo andando sem comer nada e não conseguiu, como todos os dias. E só de lembrar do tanto de pessoas que não vêem a família há anos me dá vontade de ir agora abraçar meus pais e meus irmãos. Acho que nunca é demais lembrar o tanto que temos sorte. Temos o luxo de viver, e não sobreviver. Não é uma nem duas...são milhões de pessoas que não tem condição de se sustentar enquanto eu não passo 3 horas sem comer. E estão por toda parte, só a gente que não quer ver. Ao mesmo tempo não posso negar que às vezes me bateu uma inveja da visão de mundo que eles tinham. Ser dono de si. Fico pensando em quantas pessoas tem condições de serem algo relevante, de construir algo em suas vidas que faça sentido, mas são completamente tapadas, verdadeiros papagaios reprodutores de idéias midiáticas de valores. Nunca tiveram que dar a cara a tapa pro mundo, e por isso muitas vezes não conseguem ver além do seu próprio mundinho. É claro que é difícil fugir de tudo, até porque nascemos mamando esses conceitos prontos, mas a quantidade de imbecis que tem por aí está fora do controle. 

 “Life isn't measured in the years you live, but the number of people you touch.”

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

what am I, Darling?

Eu tenho os olhos do meu pai e o sorriso da minha mãe... a altura da minha avó e a impaciência do meu irmão...tenho o espírito viajador dos meus ancestrais, tenho o lado bobo dos meus amigos, tenho a tristeza dos pacientes terminais. Tenho minhas vontades, ânsias e caprichos próprios... eu sou obsessiva, terna, vingativa, bizarra, apaixonada, maníaca e melancólica... eu sou o que eu quero. O que eu posso. O que eu consigo.


domingo, 3 de agosto de 2014

I'm lost at the bottom of the world

30 dias, 5 países, uma grande amiga, breves amores, inúmeras loucuras.

Eu chego Anápolis, tomo um café com leite, açúcar e canela, amarro o cadarço do meu tênis rosa pra correr no sol, deito no sofá pra pensar no que passou...e não tenho nada pra agarrar com minhas mãos, não posso voltar atrás, eu não trouxe nada. O que me resta é o agora. Aqui, nada mudou. Não tenho nem certeza se as coisas foram do jeito que lembro, é estranho pensar que há uma semana a pessoa mais próxima de mim é hoje alguém que eu não sei se vou ver outra vez na minha vida. Se ontem eu era autônoma, e ficava brincando de arquitetar meus dias, hoje eu volto a ser alguém que preciso me encaixar na merda da rotina. Eu que tenho essa obsessão por fugir de tudo, que gosto de deixar tudo pra trás pra entrar em outras cabeças, fico com um coração tamponado quando volto pra casa. Um tanto de saudade fica, mas logo logo novos sonhos vem.