Todo ano
tem suas aventuras, os dramas, os erros, as pessoas que marcaram. Não tento
ficar me explicando e remoendo os fatos, mas gosto de lembrar, principalmente
dos detalhes, das sensações das melhores e piores coisas que me aconteceram...
Acordei atrasada, exagerei na comida, peguei a
estrada de madrugada, decidi ir pra festas faltando
20min pra carona ir embora, fiquei sem dormir um monte de noites pra estudar,
matei aula pra ir no cinema, ri com meus amigos até ficar com dor de barriga,
chorei sozinha, corri todos os dias, agi impulsivamente, me controlei pra não
pular no pescoço de umas pessoas, fiz planos diabólicos, falei sem pensar, fiz
boas amizades, aprendi muita coisa na faculdade, me desesperei sem precisão, briguei
no trânsito, acertei, errei, amei.
Eu não me arrependo de nem um dia do ano e não me
condeno por coisa alguma que fiz. Cada dia que passa eu vivo da maneira que eu
quero viver, com o que eu tenho na minha consciência o que é certo e errado, e
isso vai mudando de acordo com o que acontece. É claro que eu mudo de idéia,
vou transformando meus pensamentos todos os dias. E é por isso que eu sempre
prefiro errar do que não tentar. O problema disso tudo são as cicatrizes. Dói
lembrar de certas coisas, dói demais. E eu vi que quanto mais a gente ignora os
fatos, maior é o risco de errar, de se enganar de novo. Por mais que isso seja
também uma auto-sabotagem, às vezes é bom. Perdoar é foda. É do caralho. Mas
vale a pena. O negócio é não esperar que as pessoas farão por você o que você
faria por elas. O negócio é mesmo não esperar nada. E se deixar surpreender com
o que virá.
E afinal, se o mundo fosse acabar hoje de verdade
eu gosto de saber que eu não guardo rancor de ninguém. Eu escolhi ter boas memórias.
“You have a choice. Live or die.
Every breath is a choice.
Every minute is a choice.
Every time you don't throw yourself down the stairs, that's a choice. Every time you don't crash your car, you re-enlist.”
― Chuck Palahniuk

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