domingo, 17 de fevereiro de 2013

Impossible Germany


                   Falam que a gente sonha com o que a gente mais pensa.

Ontem eu estava vendo umas fotos da Alemanha e sonhei com o dia que me despedi da minha família alemã. Só que foi um daqueles sonhos bem reais e eu acordei no meio da noite com uma sensação muito ruim, um desespero, um aperto...
Dizer adeus à minha família alemã doeu. Ainda dói lembrar. Foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. Uma vez eu falei isso pra alguém e essa pessoa me perguntou “nossa, mas e quando você se despediu da sua família brasileira para ir para Alemanha não foi pior não??!!” Não, não foi. Quando eu estava indo passar um ano na Alemanha eu sabia que eu ia manter contato com meus pais por e-mail, telefone, Orkut hehe e o principal, em um ano eu voltaria a vê-los todos os dias. É claro que foi ruim, mas diferente,  foi meio que uma mistura de medo de estar saindo do colo dos meus pais com uma saudade adiantada, mesmo sabendo que seria temporário.
Agora, eu dei muita, mas muita sorte com a escolha da família no meu intercâmbio. Eu não conhecia ninguém, não sabia nem falar direito alemão. Eles me receberam com todo o amor. A gente  comia todas as refeições juntos, passeávamos com os cachorros todos os dias, saiamos sempre pra comer sorvete, pra andar a toa de bicicleta, de patins, caminhar no parque, ir pra outra cidade pra fazer compras, íamos no cinema, nos barzinhos a noite ouvir musica irlandesa, viajamos muito...eles eram minha família e meus melhores amigos de lá, um sabia de tudo da vida do outro. T-u-d-o. Eu convivia com aquelas pessoas noite e dia e quando vi, tinha criado laços muito fortes com elas. É estranho lembrar, era muito diferente da minha realidade no Brasil, uma vida de outro planeta. Outra coisa, como eu não tinha a obrigação de tirar as melhores notas do mundo e a escola tinha muito horário vago então foi uma época sem preocupações, um tempo pra simplesmente viver o que estava ali, divagar , fazer loucuras, sair por aí sem rumo. Aprendi sobre eu mesma. Não tem como não lembrar com carinho da Alemanha.
E hoje dói pensar que eu não posso abraçá-los quando quiser, eu não estou vendo meus irmãozinhos de lá crescerem, eu escuto a voz deles no máximo 2 vezes por ano. E eu não sei se eles sabem o tanto que eu sou grata pelo que eles fizeram por mim. E eu não sei quando vou vê-los de novo, mas eu vou. E enquanto isso eu vou fazendo o melhor que posso nos próximos capítulos.

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