sábado, 23 de fevereiro de 2013
:)
“Listen to
patients’ stories.
Treat them as friends.
They may need a dose of strongest drug
of all: the doctor”
Michael Balint
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Pride and Prejudice
Uma professora minha estava falando sobre os pacientes que
se recusavam a ser atendidos por médicos que tinham cabelo vermelho ou usavam
tatuagem, enfim não seguiam o esteriótipo de pessoa séria e normal. E eu sei
que a intenção dela ao dizer pra gente não sair do padrão é para evitar constrangimentos
futuros...mas sei lá, não é obvio que isso não quer dizer nada? Algumas pessoas
tem a capacidade de achar que uma tatuagem é um carimbo de “aloprada”, acham
que conseguem ver o fundo da sua alma só de olhar pra você ou conversando 5
segundos, tudo na base da “leitura dinâmica”.
Na verdade estamos sendo tão superficiais em julgamentos que
discriminamos pelos mais diversos motivos. Procuramos o que a pessoa tem de “errado”
para aumentar nosso ego. É tanto narcisismo e “não me toque” pra todo lado
entre os semi-conhecidos que um simples sorriso às vezes te faz sentir muito
bem.
Beatrice Martin, cantora e compositora canadense
Tem gente que não entende gays. Eu não entendo POR QUÊ as
pessoas não entendem gays. E eu sei que isso também pode ser um defeito meu, porque
eu perco muito a paciência com essas discussões, mas me irrita demais alguém não querer deixar a outra pessoa ser livre pra amar quem ela quiser. Me dá
raiva só de escrever isso. Eu não entendo por quê as pessoas acham que uma pessoa que tem tatuagem, ou que tem cabelo colorido diferente whatever, têm menos
competência que outra. Uma das pessoas mais boas que eu já conheci é cheia de
tatuagens, é ruiva fogo (e se chama Beatriz Bonach haha) e é um pãozinho de
mel, não machucaria uma mosca, além de ser também uma, se não “a”, pessoa mais
inteligente que eu conheço.
(Manisfestante gay na Rússia)
O ser humano é tão ignorante que pra não dar briga um tem
que esconder sua verdadeira identidade do outro no dia-a-dia, as tais mangas
longas, os colarinhos. Temos que nos cobrir com várias máscaras para sermos
aceitos. Temos que esconder nossa
personalidade. Eu sei que isso leva tempo, mas eu espero realmente que as
pessoas se conscientizem que, se recusando a ser atendido por um profissional
por motivos irracionais como esses, quem perde são eles.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Impossible Germany
Falam que a
gente sonha com o que a gente mais pensa.
Ontem eu
estava vendo umas fotos da Alemanha e sonhei com o dia que me despedi da minha
família alemã. Só que foi um daqueles sonhos bem reais e eu acordei no meio da
noite com uma sensação muito ruim, um desespero, um aperto...
Dizer adeus
à minha família alemã doeu. Ainda dói lembrar. Foi uma das coisas mais difíceis
que eu já fiz. Uma vez eu falei isso pra alguém e essa pessoa me perguntou
“nossa, mas e quando você se despediu da sua família brasileira para ir para
Alemanha não foi pior não??!!” Não, não foi. Quando eu estava indo passar um
ano na Alemanha eu sabia que eu ia manter contato com meus pais por e-mail,
telefone, Orkut hehe e o principal, em um ano eu voltaria a vê-los todos os
dias. É claro que foi ruim, mas diferente,
foi meio que uma mistura de medo de estar saindo do colo dos meus pais
com uma saudade adiantada, mesmo sabendo que seria temporário.
Agora, eu
dei muita, mas muita sorte com a escolha da família no meu intercâmbio. Eu não
conhecia ninguém, não sabia nem falar direito alemão. Eles me receberam com
todo o amor. A gente comia todas as
refeições juntos, passeávamos com os cachorros todos os dias, saiamos sempre
pra comer sorvete, pra andar a toa de bicicleta, de patins, caminhar no parque,
ir pra outra cidade pra fazer compras, íamos no cinema, nos barzinhos a noite
ouvir musica irlandesa, viajamos muito...eles eram minha família e meus
melhores amigos de lá, um sabia de tudo da vida do outro. T-u-d-o. Eu convivia
com aquelas pessoas noite e dia e quando vi, tinha criado laços muito fortes
com elas. É estranho lembrar, era muito diferente da minha realidade no Brasil,
uma vida de outro planeta. Outra coisa, como eu não tinha a obrigação de tirar
as melhores notas do mundo e a escola tinha muito horário vago então foi uma
época sem preocupações, um tempo pra simplesmente viver o que estava ali,
divagar , fazer loucuras, sair por aí sem rumo. Aprendi sobre eu mesma. Não tem
como não lembrar com carinho da Alemanha.
E hoje dói
pensar que eu não posso abraçá-los quando quiser, eu não estou vendo meus
irmãozinhos de lá crescerem, eu escuto a voz deles no máximo 2 vezes por ano. E
eu não sei se eles sabem o tanto que eu sou grata pelo que eles fizeram por
mim. E eu não sei quando vou vê-los de novo, mas eu vou. E enquanto isso eu vou
fazendo o melhor que posso nos próximos capítulos.
2012 is the end of the world
Todo ano
tem suas aventuras, os dramas, os erros, as pessoas que marcaram. Não tento
ficar me explicando e remoendo os fatos, mas gosto de lembrar, principalmente
dos detalhes, das sensações das melhores e piores coisas que me aconteceram...
Acordei atrasada, exagerei na comida, peguei a
estrada de madrugada, decidi ir pra festas faltando
20min pra carona ir embora, fiquei sem dormir um monte de noites pra estudar,
matei aula pra ir no cinema, ri com meus amigos até ficar com dor de barriga,
chorei sozinha, corri todos os dias, agi impulsivamente, me controlei pra não
pular no pescoço de umas pessoas, fiz planos diabólicos, falei sem pensar, fiz
boas amizades, aprendi muita coisa na faculdade, me desesperei sem precisão, briguei
no trânsito, acertei, errei, amei.
Eu não me arrependo de nem um dia do ano e não me
condeno por coisa alguma que fiz. Cada dia que passa eu vivo da maneira que eu
quero viver, com o que eu tenho na minha consciência o que é certo e errado, e
isso vai mudando de acordo com o que acontece. É claro que eu mudo de idéia,
vou transformando meus pensamentos todos os dias. E é por isso que eu sempre
prefiro errar do que não tentar. O problema disso tudo são as cicatrizes. Dói
lembrar de certas coisas, dói demais. E eu vi que quanto mais a gente ignora os
fatos, maior é o risco de errar, de se enganar de novo. Por mais que isso seja
também uma auto-sabotagem, às vezes é bom. Perdoar é foda. É do caralho. Mas
vale a pena. O negócio é não esperar que as pessoas farão por você o que você
faria por elas. O negócio é mesmo não esperar nada. E se deixar surpreender com
o que virá.
E afinal, se o mundo fosse acabar hoje de verdade
eu gosto de saber que eu não guardo rancor de ninguém. Eu escolhi ter boas memórias.
“You have a choice. Live or die.
Every breath is a choice.
Every minute is a choice.
Every time you don't throw yourself down the stairs, that's a choice. Every time you don't crash your car, you re-enlist.”
― Chuck Palahniuk
Love is a verb
Essa semana eu recebi a notícia que um tio meu se suicidou. Demoraram dias para descobrir seu corpo, pois ele morava sozinho na antiga casa da minha avó paterna. Eu nunca tive muito contato com ele, mas eu o conheço desde pequena. Essa notícia para mim desceu rasgando a garganta. Eu olhava pro meu pai e pensava: "eles são irmãos". Não consigo imaginar a dor de perder um irmão. Muito menos assim. Foram 3h horas de ida na viagem até a cidade dele e 3h horas de volta.
Foi como colocar óculos. Mas com uma lente extra escura.
As pessoas andam tão mesquinhas que limitam seus sorrisos, seu afeto, seu amor. Arranjamos tempo pra tudo que é superficial e fútil, mas é difícil tirarmos um tempo para repensar as coisas que fazemos no dia a dia.
Foi como colocar óculos. Mas com uma lente extra escura.
As pessoas andam tão mesquinhas que limitam seus sorrisos, seu afeto, seu amor. Arranjamos tempo pra tudo que é superficial e fútil, mas é difícil tirarmos um tempo para repensar as coisas que fazemos no dia a dia.
É difícil um
dia que paramos para escutar as pessoas que amamos, sem pressa, sem
julgamentos. E eu não digo escutar na forma passiva, ficar vegetando na frente
dela enquanto ela fala. Precisamos de atenção verdadeira. Discussões que não
sejam sobre o calor, o frio, faculdade ou o menino idiota que tá te fazendo
sofrer. Escutar os medos, os sonhos, os vazios do outro. E com interesse. Querer
ouvir ao invés de só esperar sua vez de falar.
E o pior é que ainda temos a capacidade de achar que conseguimos
compensar essa falta de atenção com coisas materiais.
A culpa é
nossa, que não sabemos amar.
don't wanna grow up
Mas
aí passaram-se 20 anos. Eu vou estar com 39 então. Mulher casada, cirurgiã
vascular, com filhos adolescentes e um trabalho que ainda é bastante exaustivo,
porém terei já bastante prática e pouco vou me intimidar com a dificuldade
dele. Chego em casa e vou assistir TV com meu marido (mentira, eu vou jogar
wii), pergunto ao meu filho se ele fez a tarefa de casa e ele resmunga qualquer
coisa. Vou dormir. O que será que eu vou pensar? “Nossa, tenho que ir no banco
amanhã”, “To gorda, tenho que voltar pra academia”, “Fulaninho tá com notas
baixas em matemática, vou coloca-lo no kumon”.
Me
dá meio pânico de me imaginar em um futuro assim. Eu acho que é porque eu não
quero meu futuro agora. Mas é claro, eu sou adolescente. O
que eu quero agora é sei lá. Não ter nada previsto. Sair por aí, não ter lugar.
Conhecer, tipo, muita gente, lugares, comidas, animais, dar beijos na chuva,
resolver fazer loucuras do nada como se aquele fosse o último dia da minha
vida, estudar até 5hrs da madrugada me imaginando fazendo todas aquelas
manobras e testes em pacientes reais, sonhar com tudo que posso fazer, e achar
o máximo quando realizo pequenos sonhos e fantasias que a vida me traz de
surpresa.
Pra
quando eu estiver enfim estável (ou seja, quando eu for pra parte chata) vou
poder sorrir com a certeza que eu experimentei das mais diversas coisas e saber
que escolhi o melhor, sabendo quem sou e o que quero. Saber primeiro exatamente
quem sou, e o que realmente quero.
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