Eu tenho carregado muita coisa nas costas desde que eu comecei a
faculdade, e não tem como eu desligar de tudo aquilo que eu quero, mas de um
tempo pra cá eu fui vendo o tanto que é desnecessário se preocupar tanto com
algumas pessoas, com cada atitude, com algumas coisas do passado, e
até coisas do futuro. Às vezes se você abre uma brecha é possível ficar muito
tempo pensando "e se eu tivesse feito isso ao invés disso", "ah talvez se eu tivesse chegado
1 segundo depois poderia ser que...", sinceramente foda-se. O que eu quero
eu luto pra ter, se não deu certo já era, o " e se..." nunca
aconteceu e o tempo não volta, então supera. Sério, ficar imaginando universo
paralelo dá câncer. Ainda mais que muita coisa na minha vida dá errado, a sorte
é que eu também sofro de alzheimer precoce, aí se alguma coisa ruim acontece
comigo de manhã, a tarde eu já esqueci 50% dos fatos. Então se alguém quiser morrer de falar mal, ou de achar ruim de algo relacionado a mim.. pode falar, pode achar ruim, é direito seu. Eu não sei de muita coisa, acho que vou aprendendo (bem) aos poucos com a vida, então eu erro mesmo, faço umas burradas
sensacionais, sinto raiva, descompenso, mas depois eu levanto e vou indo. Quero focar mais no
que compensa e o que realmente é preciso. Não dar crédito pra quem não merece. Não é também que agora eu vou sair destratando as pessoas, nem sendo grossa, nada disso, é só que eu tô em outra.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
invisible inc
Eu tenho um distúrbio emocional que
leva meu cérebro a pensar que a resposta adequada à todas as emoções é chorar.
Então, domingo passado eu fui dormir chorando de raiva. Eu tava com tanta raiva
que não tinha condições nem ao menos de organizar meus pensamentos, muito menos
escrever qualquer coisa, eu só queria esganar algumas pessoas, que eu inclusive
eu nem conheço. Pra contar essa história eu primeiro eu vou explicar quem é a
Nini.
A Nini cuida de mim desde os meus 3
anos de idade, ela chegou lá em casa como babá e continua trabalhando lá em
casa até hoje. Quando ela chegou na nossa casa ela tinha apenas até a 4ª
série completa. Alguns anos passaram e ela resolveu voltar a estudar. Não foi
fácil para ela, eu que sempre tive tudo na mão pude ver de perto várias falhas
do sistema de ensino público como má gestão das escolas, falta de segurança, de
interesse de muitos professores e alunos, de estrutura física, de valorização
do profissional, de incentivo do governo... e muitos outros fatores que criam
uma barreira. É foda, dá pra desanimar bastante. Mesmo assim ela continuou
estudando, e esse ano ela entrou na PUC para pedagogia.
Então, esse final de semana eu
estava lá em casa quando a Nini chegou um pouco triste, aí eu fui conversar com
ela. Ela começou a me contar que estava com medo de não conseguir continuar na
faculdade, pois era cheio de trabalhos em grupos e ninguém nunca queria fazer
com ela, e ela estava se virando sozinha até então porque os trabalhos eram
manuscritos, mas agora começaram a ser pedidos trabalhos com pesquisa na
internet e ela não sabia como mexer, e como ninguém nem falava com ela na
faculdade ela não sabia a quem recorrer. Ela me contou isso chorando. A minha vontade
na hora foi de querer trucidar os colegas dela um a um, e não mudou. Eu amo a
Nini, e por isso essa história mexe comigo mais do que com você, mas ainda que
eu não tivesse ligação com ela, é muito revoltante observar como é normal esse
preconceito social que existe nitidamente.
A Nini é uma empregada doméstica
negra de 34 anos que cursa o primeiro período de uma faculdade particular bem
renomada. Eu imagino ela entrando na sala de aula no primeiro dia e me dá nojo
dos olhares preconceituosos que ela com certeza recebeu. Nem um mísero
indivíduo teve a decência de falar com ela. Eu tento pensar que as pessoas
estão perdendo a sensibilidade, a percepção do que está em volta delas. Eu
tento pensar que foi falta de atenção. Mas no fundo eu sei que a cegueira é
proposital. Eu sei que as pessoas sabem, mas não ligam. Ou até querem mal. E me
dá raiva, dói demais ver o sofrimento de alguém que amo e que batalhou tanto
para chegar onde está agora.
Perceber o mundo está cada vez mais
difícil, tudo gira em torno do “eu”, nos fechamos cada vez mais em nós mesmos.
Ultimamente onde vamos não tem ninguém olhando pra cara um do outro, ninguém
olha mais pela janela do carro, todo mundo só olha seu celular. Quantas vezes
você não virou a cara pro além só pra não ter que falar “oi” para alguém?
Qual foi a última vez que você conheceu e conversou com alguém sem algum
interesse por trás? Pense, quantas vezes você se olha no espelho e quantas
vezes você olha nos olhos de alguém por dia?
Preconceito é a coisa mais ridícula
inventada pelo ser humano, que melhorou do ponto de vista de escancarar na
sociedade a existência dele, mas que está “camuflado” nos cochichos, nos
olhares, nos pensamentos, nos grupinhos fechados. E parece que cada vez tem
mais, e com motivos cada vez mais retardados. Dinheiro, cor, opção sexual,
roupa, escrever certo, não te faz melhor do que merda nenhuma. Às vezes pode
ser difícil pelo fato de ser tão normal, erramos pelo automatismo. Mas eu
acredito que a consciência e a vontade podem mudar uma pessoa. Eu deixo aqui o
meu pedido de olhar pro lado. (e pra frente, pra trás, pra baixo...)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
I wanna live on the road
Semana passada eu estava na Amazônia por um
projeto da faculdade para fazer ação educativa. A proposta era: sair de casa,
esquecer aulas, provas, trabalhos, conhecer aquela população, passar o máximo
de conhecimento possível nas ações educativas, morar em um barco, colaborar com
o que me pedissem e se possível, atender algumas pessoas na clínica por uma
semana. Uma das coisas mais legais de viajar
assim é que, apesar das pessoas já terem te explicado como vai ser e você ter
na sua mente tudo aquilo que você vai viver no final você percebe que não dá
pra ter a menor noção da situação até você ver com seus próprios olhos, pisar
com seus próprios pés, sentir com seu próprio coração.
Conviver com pessoas novas, ouvir a história delas,
compartilhar a sua, trabalhar em situações adversas, ver a beleza e a miséria
daquele lugar, viver momentos que me fizeram rir, chorar, gritar e ficar calada. Houve momentos difíceis,
de revolta, e de partir o coração. Somos humanos, somos pequenos, não podemos
mudar tudo...mas se você tem consciência das suas limitações e intenção de ajudar (e não só a população
carente, é preciso ter força de vontade para trabalhar com os colegas, querer
evitar discussões, dar o braço a torcer), é possivel fazer a diferença. Partindo
disso a convivência fica fácil, fica gostoso estar ali com aquelas pessoas e as
boas memórias vão fluindo naturalmente.
Arrisquei, fui com o coração aberto e troquei
a roupa da alma. As coisas que eu vivi nessa semana vão ficar guardadas na
memória e eu só tenho a agradecer por essa oportunidade única que me foi dada.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Laugh is the best medicine
Você já fez alguém sorrir hoje?
Esses
dias eu estava conversando com alguns colegas que estavam extremamente frustrados
com as atitudes egoístas de outros colegas, que ficam escondendo material de
estudo, como as pessoas estão com um pensamento mesquinho na faculdade. E eu
concordo. É muito ridículo querer sair melhor, querer que os outros não saiam
bem nas provas, ficar acima dos outros...cara na boa, todo mundo vai formar um
dia, e quando isso acontecer vamos começar a atuar medicina de fato, teremos
vidas dependendo do nosso conhecimento. Quanto mais ajudarmos uns aos outros,
quanto mais soubermos, mais competentes seremos, mais pessoas poderemos ajudar.
Pense que um dia, algum parente próximo ou até você mesmo pode
precisar de ajuda daquele profissional que você ridicou seu material.
O
problema é que as pessoas ficam olhando só para dentro da sua bolha, apegam-se MUITO mais as coisas materiais do que a pessoas. Como posso esperar que essas pessoas
serão médicos comprometidos com seus pacientes se não conseguem nem ao menos
serem gentís com seus colegas? Eu acho que tá todo mundo precisando tirar um
tempo pra pensar. Pensar em quem são, pensar em o que querem se tornar, pensar
se de fato estão crescendo, pensar.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Bitch, please.
Judgments -Rosea Lake
Julgamentos são tiros no pé. Nós não somos bonecas, temos carne e osso, temos desejos, vontades, inibições, preferências, como todo mundo tem. Isso todo
mundo sabe. O que as pessoas tem dificuldade de entender é que nem todo mundo
tem a mesma dose, e aí começam os olhares tortos...
Eu
penso que cada indivíduo tem direito de viver a vida como bem entende, desde
que respeite o limite do outro. As pessoas pensam diferente, possuem organismos
diferentes, e tem intensidades diferentes em seus sentimentos. Tem gente que é
monogama e tem gente que não é. As pessoas tem muita dificuldade em aceitar
certas atitudes, principalmente de mulheres, porque na cabeça egoísta delas os
outros tem que seguir a mesma filosofia de vida que elas.
Ter
uma saia mais longa, não ficar com mais de um cara por noite, não usar decote, não transar de primeira, tudo isso não quer dizer que você é uma pessoa melhor, quer dizer que sua opinião é diferente da delas. E diferenças são boas. Cada pessoa tem o direito
de ser quem quiser, se expressar, sem ter alguém pra fazê-la se sentir mal por
ser quem é.
:)
“Listen to
patients’ stories.
Treat them as friends.
They may need a dose of strongest drug
of all: the doctor”
Michael Balint
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Pride and Prejudice
Uma professora minha estava falando sobre os pacientes que
se recusavam a ser atendidos por médicos que tinham cabelo vermelho ou usavam
tatuagem, enfim não seguiam o esteriótipo de pessoa séria e normal. E eu sei
que a intenção dela ao dizer pra gente não sair do padrão é para evitar constrangimentos
futuros...mas sei lá, não é obvio que isso não quer dizer nada? Algumas pessoas
tem a capacidade de achar que uma tatuagem é um carimbo de “aloprada”, acham
que conseguem ver o fundo da sua alma só de olhar pra você ou conversando 5
segundos, tudo na base da “leitura dinâmica”.
Na verdade estamos sendo tão superficiais em julgamentos que
discriminamos pelos mais diversos motivos. Procuramos o que a pessoa tem de “errado”
para aumentar nosso ego. É tanto narcisismo e “não me toque” pra todo lado
entre os semi-conhecidos que um simples sorriso às vezes te faz sentir muito
bem.
Beatrice Martin, cantora e compositora canadense
Tem gente que não entende gays. Eu não entendo POR QUÊ as
pessoas não entendem gays. E eu sei que isso também pode ser um defeito meu, porque
eu perco muito a paciência com essas discussões, mas me irrita demais alguém não querer deixar a outra pessoa ser livre pra amar quem ela quiser. Me dá
raiva só de escrever isso. Eu não entendo por quê as pessoas acham que uma pessoa que tem tatuagem, ou que tem cabelo colorido diferente whatever, têm menos
competência que outra. Uma das pessoas mais boas que eu já conheci é cheia de
tatuagens, é ruiva fogo (e se chama Beatriz Bonach haha) e é um pãozinho de
mel, não machucaria uma mosca, além de ser também uma, se não “a”, pessoa mais
inteligente que eu conheço.
(Manisfestante gay na Rússia)
O ser humano é tão ignorante que pra não dar briga um tem
que esconder sua verdadeira identidade do outro no dia-a-dia, as tais mangas
longas, os colarinhos. Temos que nos cobrir com várias máscaras para sermos
aceitos. Temos que esconder nossa
personalidade. Eu sei que isso leva tempo, mas eu espero realmente que as
pessoas se conscientizem que, se recusando a ser atendido por um profissional
por motivos irracionais como esses, quem perde são eles.
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