Às vezes eu deito no chão da sala com meu estetoscópio e fico escutando meu próprio coração. Fico fantasiando doenças terminais ou acidentes trágicos. Imagino um mundo sem mim. Nunca mais ter que sentir nada, nunca mais ter o gosto desagradável do dia-a-dia sem perspectivas. Desejo nunca ter que levantar dali. Talvez eu seja só, sei lá... incompatível com a raça humana.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Home is for the heartless
Imagine você, se somente a roupa que você está agora no corpo e o dinheiro que tem no bolso fossem todas as suas posses. Você consegue sequer imaginar essa possibilidade? Você consegue se imaginar sem um lugar pra dormir? Sem um lugar pra tomar banho? Sem saber se hoje vai dar pra comer?
Depois de seis meses conversando com moradores de rua de Anápolis, acaba amanhã a etapa de entrevista do meu TCC/PIBIC. Cada pessoa que eu conheci nesse período tinha uma história de vida incrível, foram pessoas de várias religiões, etnias, que vieram de todos os cantos do Brasil, e todos com um objetivo diferente. A rua é um mundo que só entende quem está dentro, ela tem todo um mecanismo. A gente finge que entende, mas a verdade é que essa realidade é inimaginável pra quem sempre teve um teto. E fica bem mais difícil quando ignoramos todos os dias essa população. Não tô nem falando da questão de dar dinheiro, tô falando de virar a cara pra alguém que tá olhando pra você, que tá falando com você. Muitas vezes eu sentia vergonha de mim mesma enquanto escutava o que eles tinham pra falar. Quantas vezes eu ainda não consigo ver além da aparência. Ou machuco alguém sem nem pensar o que isso vai causar. E pqp eu reclamo de TANTA besteira...Não dá pra não repensar a vida quando você chega na sua casa depois de alguém te falar que procurou emprego o dia todo andando sem comer nada e não conseguiu, como todos os dias. E só de lembrar do tanto de pessoas que não vêem a família há anos me dá vontade de ir agora abraçar meus pais e meus irmãos. Acho que nunca é demais lembrar o tanto que temos sorte. Temos o luxo de viver, e não sobreviver. Não é uma nem duas...são milhões de pessoas que não tem condição de se sustentar enquanto eu não passo 3 horas sem comer. E estão por toda parte, só a gente que não quer ver. Ao mesmo tempo não posso negar que às vezes me bateu uma inveja da visão de mundo que eles tinham. Ser dono de si. Fico pensando em quantas pessoas tem condições de serem algo relevante, de construir algo em suas vidas que faça sentido, mas são completamente tapadas, verdadeiros papagaios reprodutores de idéias midiáticas de valores. Nunca tiveram que dar a cara a tapa pro mundo, e por isso muitas vezes não conseguem ver além do seu próprio mundinho. É claro que é difícil fugir de tudo, até porque nascemos mamando esses conceitos prontos, mas a quantidade de imbecis que tem por aí está fora do controle.
“Life isn't measured in the years you live, but the number of people you touch.”
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
what am I, Darling?
Eu tenho os olhos do meu pai e o sorriso da minha mãe... a altura da minha avó e a impaciência do meu irmão...tenho o espírito viajador dos meus ancestrais, tenho o lado bobo dos meus amigos, tenho a tristeza dos pacientes terminais. Tenho minhas vontades, ânsias e caprichos próprios... eu sou obsessiva, terna, vingativa, bizarra, apaixonada, maníaca e melancólica... eu sou o que eu quero. O que eu posso. O que eu consigo.
domingo, 3 de agosto de 2014
I'm lost at the bottom of the world
30 dias, 5 países, uma grande amiga, breves amores, inúmeras loucuras.
Eu chego Anápolis, tomo um café com leite, açúcar e canela, amarro o cadarço do meu tênis rosa pra correr no sol, deito no sofá pra pensar no que passou...e não tenho nada pra agarrar com minhas mãos, não posso voltar atrás, eu não trouxe nada. O que me resta é o agora. Aqui, nada mudou. Não tenho nem certeza se as coisas foram do jeito que lembro, é estranho pensar que há uma semana a pessoa mais próxima de mim é hoje alguém que eu não sei se vou ver outra vez na minha vida. Se ontem eu era autônoma, e ficava brincando de arquitetar meus dias, hoje eu volto a ser alguém que preciso me encaixar na merda da rotina. Eu que tenho essa obsessão por fugir de tudo, que gosto de deixar tudo pra trás pra entrar em outras cabeças, fico com um coração tamponado quando volto pra casa. Um tanto de saudade fica, mas logo logo novos sonhos vem.
Eu chego Anápolis, tomo um café com leite, açúcar e canela, amarro o cadarço do meu tênis rosa pra correr no sol, deito no sofá pra pensar no que passou...e não tenho nada pra agarrar com minhas mãos, não posso voltar atrás, eu não trouxe nada. O que me resta é o agora. Aqui, nada mudou. Não tenho nem certeza se as coisas foram do jeito que lembro, é estranho pensar que há uma semana a pessoa mais próxima de mim é hoje alguém que eu não sei se vou ver outra vez na minha vida. Se ontem eu era autônoma, e ficava brincando de arquitetar meus dias, hoje eu volto a ser alguém que preciso me encaixar na merda da rotina. Eu que tenho essa obsessão por fugir de tudo, que gosto de deixar tudo pra trás pra entrar em outras cabeças, fico com um coração tamponado quando volto pra casa. Um tanto de saudade fica, mas logo logo novos sonhos vem.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
ô Ana
A faculdade de medicina é um ninho de boatos, de competições, de depressão, de estresse, de descarrego, de conhecimento, de libertação. As pessoas normalmente não conseguem ter uma estabilidade emocional em todos os períodos do ano, é muita prova, muito conteúdo muita grosseria, muito foda-se você. A verdade é que muitos de nós somos sozinhos, moramos sozinhos, temos a autonomia de onde vamos, e assim praticamos um certo egoísmo nas nossas escolhas (alguns mais e outros menos) na hora de priorizar você mesmo sobre as eventualidades do dia-a-dia.
Mas acontece que ao mesmo tempo que somos super independentes e bonitões, nós falhamos e fraquejamos demais nos nossos atos, e as vitórias tem gosto de lixo quando não tem ninguém para celebrar com você. Sim, nós precisamos de alguém. Porque quando tudo dá errado nós queremos um colo. E quando tudo dá certo nós queremos dividir uma cerveja.
Então nós fazemos amigos, namoramos, dançamos, saímos pra ver filme, comemos até explodir, rolamos de rir das besteiras que acontecem, planejamos o futuro, aparecemos nas casas dos outros sem avisar, bebemos café, vamos pra academia e brigamos, estudamos a madrugada toda, choramos por nota, choramos porque estamos sozinhos, porque não aguentamos mais, porque todo mundo é melhor do que a gente, porque aquele professor fdp tá fudendo nossa vida, e ninguém quer compromisso, e os colegas escondem material de estudo e a família entrou em crise na semana de provas.
Acaba que tudo fica mudando constantemente sem aviso prévio a cada 5min. Mas é menos ruim quando se tem uma Ana do lado. Quando você não tá conseguindo estudar mais e já são 2h da madrugada e você manda aquele whatsapp desesperado pra ela e ela responde que tá assistindo Revenge. Quando você vira toda animada e fala: VAMOS PRA GOIÂNIA às 00h da madrugada de uma terça feira, e ela TOPA. E também quando ela fala: VAI ESTUDAR AGORA LARISSA, ou me olha com cara feia mas eu entendo que ela não tá num dia bom. Porque amizade também não é estar sempre feliz. É saber que independente de tudo de ruim, você tá sempre ali disposto a ajudar aquela pessoa. É querer compartilhar sua xerox. É sentar perto um da outro na prova mesmo que a gente não cole. E eu realmente espero que todo mundo encontre sua Ana na faculdade, porque eu garanto que não tem nota boa que supere nem um segundo de risos com um bom amigo. :)
domingo, 25 de maio de 2014
You know I dreamed about you, 22 years before I saw you
Todo aniversário é uma mini crise existencial. É aquele dia que não dá pra escapar dos pensamentos do tipo: "E aí, você tá satisfeita com a sua vida?", e eu vou ficando incomodada com esses flashs de ideias que vão me beliscando até que acabo tendo vontade de não ver ninguém, não falar com ninguém, sumir e ficar por conta de prestar contas pra mim mesma. E como eu não tenho problemas em fazer o que me dá vontade, e também não preciso que alguém vá comigo, foi exatamente isso que eu fiz, acordei cedo, peguei minha crocs, coloquei um shorts e peguei a estrada.
Ok.
Depois de um mergulho em uma água MUITO fria, uma escalada de suar o corpo todo e uma cochilada em pleno sol eu fui falar um pouco com a Larissa 2014. Coloquei o que importa no papel, anotei minhas conquistas na faculdade, minhas expectativas pra esse ano, minha ética no dia-a-dia, minhas transgressões quando luto pelo que acredito, minha sinceridade com os outros, meu esforço, minhas amizades que começaram/terminaram/continuaram, minhas tentativas amorosas, minhas mudanças, minhas mini aventuras e minha convivência com meu "eu" ultimamente. E eu vi que estou melhor. E eu gosto do que vejo pela frente. E que apesar de ter um cotidiano corrido e exaustivo, eu estou feliz no final do dia. E que eu consegui depois de muito de turbulência estar em paz comigo, com a minha aparência, , com as minhas manias, com a minha chatice, com os meus defeitos, com as pessoas que eu gosto e principalmente com a minha impulsividade. E eu fui cantando com voz mais esganiçada possível pra casa as minhas músicas francesas que eu nem sei a letra direito, e sorrindo sem um grande motivo aparente, mas por pequenos pontos que me integram e me ajudam a ir pra frente a cada ano.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
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