Um grande aneurisma todo cheio de trombo mural
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
domingo, 12 de janeiro de 2014
Meu efeito borboleta
Chego em casa morta depois de correr os 6km
do dia. Não tem ninguém em casa, estão todos viajando, mas tudo bem, eu gosto
de ficar sozinha. Subo até o meu quarto e vou tirando a roupa pra tomar um
banho, ligo o chuveiro mas tenho que esperar um pouco pra entrar porque a água
demora pra esquentar. Fico parada sem muita função escorada na parede do
banheiro. Me olho no espelho. Acho que
meu rosto está diferente, mais velho. Fazia um tempo que eu não reparava bem.
Cabelo curto, molhado por causa do suor, um pedacinho de tatuagem em baixo do peito,
uma cicatriz no joelho, unhas curtas sem esmalte, um pouco de olheiras e discretas
rugas em minha testa. Começo a divagar como foi que eu cheguei a ser essa pessoa que tá me encarando do outro lado do vidro do espelho, já começando a embaçar.
Se não fosse aquele sorteio no meio da
aula de inglês com papeizinhos rasgados do canto do fichário, que eu tirei "colégio
classe" eu talvez eu não tivesse ligado pra minha mãe no recreio e decidido
definitivamente que eu iria separar de todas as minhas amigas para ir sozinha
pra outro colégio fazer ensino médio. Se eu não tivesse acordado e ido no
último dia de aula do 1º ano, não teria feito amizade com uma garota que me
contou dos seus planos de fazer intercâmbio na Alemanha, não teria comentado
sobre isso com a minha família e eles não teriam me perguntado se eu também não
tinha vontade de ir. Se a mulher do fujioka não tivesse me deixado sorrir na
foto 5x7, talvez minha família alemã não tivesse reparado na “menina sorridente”
no meio do bolo de fichas de intercambistas e tivesse
escolhido outra pessoa, ou até nenhuma. Se eu não tivesse escolhido fazer algumas
matérias chatas meu diploma de lá não teria sido validado pelo MEC, e eu não
poderia entrar direto no cursinho. Se eu não tivesse tido mais tempo pra pensar
não teria escolhido fazer medicina. Se minha mãe tivesse me buscado na aula
naquele dia, eu não teria ficado a tarde pra estudar na escola com uma menina
que me falou da existência da UniEvangélica faltando 2 dias pra encerrar as
inscrições. Se eu tivesse conseguido ir pra turma de PIESF que eu queria quando
entrei, talvez não teria ficado próxima dos meus melhores amigos. Se não fosse
cada respiração irregular, cada passo que eu não dei, se não fossem os dias que
eu dormi além do que eu podia, se eu não tivesse me ferrado em todas as minhas
relações, se eu não me importasse com os detalhes, se não tivesse acertado nas
amizades, se eu não corresse, se meus pais aceitassem melhor as diferenças, se
eu não visse o lado bom das coisas ruins, se eu não xingasse no trânsito, se eu
não ficasse nervosa quando toco violino na frente dos outros, se eu não fosse
atrevida, se eu não chorasse em filmes, se eu conseguisse controlar meus impulsos,
se eu não tivesse bebido tanto ou se eu tivesse por um descuido, encontrado o
grande amor da minha vida, eu não estaria aqui agora escrevendo essas palavras
em um domingo a tarde com meu cabelo curto, molhado por causa do suor, uma tatuagem na costela, uma cicatriz no joelho,
unhas curtas sem esmalte, um pouco de olheiras , discretas rugas em minha testa
e lembranças de uma vida em 21 anos e 8 meses.
domingo, 29 de dezembro de 2013
4:08 (ou, The Masterplan)
Gosto de motivos non-sense, de planos improváveis e de tiros no escuro. Para mim, uma razão pra viver mais um dia não pode ser algo palpável, tem que ir além das probabilidades, tocar os meus desejos mais profundos, beirar a realização existencial. Os tais sonhos acordados que às vezes me doem o peito e me apertam com uma agonia respiratória de tão fortes, que me fazem ter uma crise de ausência só de imaginar a possibilidade desse mundo paralelo feito exatamente na minha medida. São eles me cansam e escravizam. Eles que me dão fôlego pra continuar. Porque são eles me levam para mim.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
13 dias para o fim de 2013
E foi assim. Ansiedade exagerada, medo e preguiça daquele ano que todo mundo já tinha me avisado que não ia ser fácil. A tal da clínica médica. E vamos virar noites, tirar notas baixas, escolher a opção errada, mandar tudo se fuder e ir dançar, encher a cara, correr, cansar, não descansar, estudar no sábado, no domingo, na academia, chorar no meio da prova, dormir nos corredores, esperar horas por professor que não vem, chegar mais cedo por professor exigente, brigar com os colegas, abraçar, ir pro ambulatório, se indignar com a situação da saúde pública, #irprarua, voltar pra casa feliz/brava/morta/orgulhosa/desapontada, fazer provas fazer provas fazer provas. E acabou. E vem a pediatria. E vem congressos, festas, pular de pára-quedas, ir para Salvador, trabalhos científicos, festas, ballett, e vem o ócio, os pensamentos perigosos, as idéias miraculosas, e adeus cabelo, e oi tatuagem, e vem os jogos, e vem depois também o aperto, o ferro, a ressaca e as noites em claro, e os ambulatórios já estão demorando muito acabar, e já não consigo acordar no horário, e tem trabalho e jornada e prova e liga e apresentação de violino tudo na mesma semana, e não dá mais pra ir em festas, e parece que nada entra mais na minha cabeça, e o esforço pra fazer algo demanda toda a minha energia, e prova e prova e prova e acabou. 13 dias pra 14.
domingo, 24 de novembro de 2013
Um sonho
Se um dia eu decidir que cansei dessa vida, eu vou para bem longe. Sei que nos meus dias vou cometendo pequenas insanidades, vou me testando, até onde tenho coragem de ir onde não é permitido. Mas quando eu estiver bem resolvida, eu vou atrás do que quero de verdade. Vou para onde ninguém me conhece, viver uma vida que não é a minha. Quero fazer pequenos trabalhos, conhecer um segredo por dia, mas dessa vez manter longe o apego excessivo, vou guardar a confiança comigo mesmo, porém quero doar sem medidas tudo que me resta do elemento X que me faz Larissa. Quando um dia eu puder me virar do avesso, quero fazer o que já tentei mas não deu certo, e agora tenho medo. Viver o que não me deixam viver. Deitar na terra. Ficar descabelada o dia todo. Beijar sem razão. Conhecer de tudo um pouco. Correr sem saber o caminho. E abandonar tudo e seguir de novo. Pra casa.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
I'll be there in your dreams if you can't sleep at all
As noites que eu fico sozinha olhando pro teto, aquelas que eu tento dormir mas não consigo, ou aquelas que eu acordo subitamente no meio da noite, aquelas que me deixam fodidamente cansada no outro dia, aquelas que me dão uma ânsia sem explicação que me fazem pegar a estrada pra sair por aí, aquelas que de tão consumidoras me fazem desligar tudo pra falar comigo mesma, as que eu penso em tanta coisa e eu quero que tudo vá embora, aquelas que me fazem querer o que eu tenho, o que eu não tenho, me amar e me odiar, são as noites que me fazem ser eu mesma, todo dia outra pessoa.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Random
Não sei se é o tempo frio, ou tempo livre, mas minha cabeça tá no modo aleatório. Tá muito sem um porquê. Tô vendo que maioria das coisas, das pessoas, dos pensamentos não fazem sentido. Na verdade nem nunca tiveram a intenção de fazer. É falar por falar, fazer por obrigação. Mal olham e já abrem a boca pra comentar. E depois pensam. E depois esquecem. Todo dia. É tudo muito besta mesmo.
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