Sexta à noite.
Já é dezembro e tá chovendo devagarinho.
Chego na casa dos meus pais depois de uma longa semana, todas as luzes estão apagadas. Eu subo as escadas tateando a parede, acendo a luz, ando sem fazer barulho no corredor e abro a porta ao lado da sala.
Em meio de muitos lençóis brancos na cama de casal, tem uma mulher de estatura média, cabelos loiros curtos e roupa de quem saiu do trabalho e nem deu tempo ainda de trocar. Ela tá deitada sozinha com as mãozinhas juntas, como se estivesse rezando, os joelhos levemente dobrados e uma expressão de acalmar a alma. Eu deito ao lado dela e abraço-a por trás com carinho. Ela fala:
- Que saudade que eu estava, filha.
E eu acho que amor é isso.
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